Um dia incutiram em mim a crença de que a persistência é a coragem dos fracos, que acreditar no que se deseja nada mais é do que uma injeção de água com açúcar que nos leva a transcender praticamente tudo que pensávamos ser impossível alcançar...

Transcendo-me desde então, e persisto em injetar em mim a mesma água com sabor de coisa alguma, porque tudo que deixo para trás tem sabor de coisa alguma, ou não tinha açúcar suficiente para me levar adiante nos meus desejos.  Minha seringa tem veneno e Deus algum possui o antídoto.

Sou um veneno e nada nesta terra de coisas sem perfume, graça ou uma réstia de alma será capaz de me demover daquilo em que acredito ou julgo ser capaz de alcançar, seja por audições ao silêncio, aspirações absolutas, ou a perfeitamente idiota certeza de que podes decidir por mim, o que nunca fui capaz de decidir toda minha vida...

Desprendo-me do que não tem perfume, dos que não almejam sequer arriscar uma vez na vida... E você, você arriscou, sofreu, chorou, e hoje, nem o brilho do sol tem sentido algum para mim... E eu... “Dê de graça, o que de graça recebestes...”

Estou perdido, e Orixá nenhum parece iluminar meu caminho... Sei que não sou nenhuma das sete lágrimas de um preto-velho... Mas isso é o que me resta...

E o teu nome...

 

Recomeçar... Ah... Como é bom recomeçar... Não fosse uma alma abalada e meu coração destroçado, tudo seria belo e fácil como falar “te amo” gratuitamente...

Incondicionalmente, fui cego e louco, nutrido de uma paixão, que só as forças mais determinadas da Natureza poderiam explicar; só a minha mão na tua podiam sentir...

Tamanhas palavras saíram da sua boca, como leves suspiros do vento, que soavam como músicas eternas, como ritmos inesquecíveis... Assim...

Assim... E as estrelas dançando, e no meio daquela paixão urgente, onde meus olhos se perdiam nos seus, seus lábios queimavam os meus... E nada mais importava...

 

Nunca te tive, e jamais te irei perder, o que de você obtive, morte alguma fará esquecer... Te amo.

poison in 20-02-2007    

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