Escolhe o teu sonho...

 

        Devíamos poder preparar os nossos sonhos, como os artistas as suas composições, com a matéria subtil da noite e da nossa alma, devíamos poder construir essas pequenas obras-primas incomunicáveis que, ainda menos que a rosa, duram apenas o instante em que vão sendo sonhadas, e, logo se apagam sem outro vestígio que não seja a nossa memória...               

        Como quem resolve uma viagem, devíamos poder escolher essas excursões, o veículo e a companhia, por mares, grutas, neves, montanhas, e até pelos astros, onde moram desde sempre, heróis e deuses de todas as mitologias e os fabulosos animais do Zodíaco...               

        Devíamos, à vontade, passear pelas praias do Atlântico, lá, onde suas espumas crespas correm como o luar, por entre as pedras, ao mesmo tempo cantando e chorando...ou, aproveitar uma tarde dourada de Santos, e ir sorrindo para cada concha na areia, como quem saúda um amigo de infância...ou contemplar os teus olhos, imensos como o mar, belos como as estrelas...na noite, sabe Deus onde... - Quantos lugares para essas excursões...Lugares repetidos ou apenas imaginados, inventados...e os lugares inventados, feitos ao nosso gosto, jardins no meio do mar, pianos brancos que tocam sozinhos, periquitos que namoram, beijos que se desarmam, transformados em música... e sonhar... -         Sonhar com quem amamos, tão perto ou tão longe... -que gostarias de sonhar tu esta noite?

 

Queria um livro...

 

        Queria um livro, queria um livro que me ensinasse a ler o que te vai no coração, queria um sonho, um sonho que me mostrasse o mar, o mar visto pelos teus olhos, queria uma flor, uma flor que me inundasse com o teu perfume, queria um Sol, um Sol que me desse o brilho do teu sorriso, queria uma Lua, uma Lua que me enchesse da tua serenidade, queria uma impressão de som, um som que me soasse a um gemido teu, queria uma fruta, uma fruta que me desse o gosto da tua boca, queria um fogo, um fogo que me incendiasse como tu incendeias, queria a seda, a seda que percorri com as mãos e com os lábios, queria um êxtase, mas não um qualquer, quero aquele que me dás!!

        E sim, foste tu que ensinaste as estrelas a brilhar!!

        Tão estranho é este dia, como a noite que antecede uma festa, o é para a criança impaciente, que, tendo um vestido novo para estrear, ainda o não pôde vestir...

        -Se não podes mudar a direção do vento, corrige as tuas velas!!

 

 

 

 

Não...

 

        Não queria começar por escrever “não sei!”, mas realmente a língua portuguesa é insuficiente para te falar ou descrever a tamanha aflição de amor que me invadiu...

 

Que importa a chuva, ou mesmo o frio,

Que importa o medo, ou se é perigoso,

Se te aperto e beijo, ou me arrepio,

Se o momento é nosso, e tão gostoso!!

 

        Me parece que, se não cheguei ao topo da montanha, pelo menos escalei até onde jamais homem algum foi capaz de escalar; que montanha tamanha, é-me impossível achar palavras para te dizer o quão bonito, especial e inesquecível têm sido os nossos secretos e doces encontros; sou um privilegiado, isso sim!

         Cartas de amor, quem não as tem ou escreveu, mas ter a oportunidade de escrever uma para ti, tenha sido ela a primeira ou não, me faz sentir muito especial, me obriga a erguer-te ao pedestal a que tu, rainha do meu coração, sempre pertenceste, lá no alto, bela, maravilhosa, dona duma subtileza, meiguice, inteligência e de um tamanho carinho, que chego a não me achar merecedor de te ter...

        Foste minha, foste minha como as montanhas o são do céu, és minha como jamais algum dia sonhei que serias...

 

 

 

Quão ...

 

        Quão insignificante é o que penso perto daquilo que sinto, funesto aquilo com que sonho, comparado ao que já me deste...

        É lindo e prazeroso demais tudo que temos juntos, sinto não caber em mim tanto prazer, tanta felicidade, tanta coisa boa, tudo tão perfeitamente esculpido, que parece termos sido feitos um para o outro; e não digo isto por achar que algum dia isso poderá acontecer, digo, porque é indiscutivelmente perfeito!

        Banho nenhum extrairá de mim o teu perfume, música alguma apagará da minha mente os teus gritos e gemidos, massagem nenhuma sossegará os meus músculos desejosos, gelo algum tirará de mim o teu calor, imagem nenhuma conseguirá apagar do meu coração o teu rosto lindo, a tua respiração ofegante, o prazer que tinhas nos olhos, a música que me ensinaste a dançar...

         Ás vezes desejava que os meus lábios pudessem  falar e dizer, o que o meu pobre coração me faz escrever, sobre a beleza que algum deus colocou no meu caminho...

Morreria hoje nos teus braços,  sabendo que tu meu amor, já me tens no teu interior, amando-te assim perdidamente, dizê-lo cantando a toda a gente, por toda a eternidade...

Não queria ter julgado erradamente qual o meu papel no mundo, ou mesmo na vida, mas a cegueira do amor me deixa realmente muito confuso... Quais os objetivos, quais as prioridades, qual a nossa finalidade? Posso ser acusado justamente de ser demasiado simplista, sim, admito, para mim tudo é demasiado simples, meu objetivo na vida sempre foi tão simples, que tudo que faço se conjuga simplesmente para que esse objetivo se cumpra; não importa a dureza, o tamanho, a dificuldade ou a facilidade, se não é simples, basta-me um olhar apaixonado e determinado, que simples será... O que nos impede de fazer ou ter o que desejamos com veemência, se realmente estamos vivos, se realmente importa? Não quero dizer com isto que não sou um cobarde, sou, mas um cobarde do amor, porque não quis ver, porque não quis olhar, mas não desisti, e se os olhos se fecharam, o coração me desnubla paisagens de sonho que me impedem de dormir descansado... sim, tu me preenches ou assombras o sono, me petrificas a alma e coração, me fazes sorrir sem piada, no escuro, cobarde em silêncio... o que me impede de agarrar o meu objetivo? Ele está dentro de mim, mas parece ter uma ponte feita de seda delicada, que qualquer orvalho quebrará o elo que por momentos senti ter sido moldado para a eternidade com juras de amor... Eu não sou a dúvida ou a incerteza, muito menos a loucura, me parece que eu te dou o que sempre procuraste sentir, da mesma maneira que tu dás seda à minha ponte, e por todos os deuses gregos, qual o objetivo de todas as pessoas, senão ser feliz, totalmente feliz? Quão diferentes serão os teus humildes desejos dos meus? Quão mais forte bate o teu coração se me vês do que o meu se te pressinto?

 

 

    

 O nosso amor...

 

        É-me impossível olhar ao redor, observar a vulgarização, a desvalorização, abominação e total alienação do amor, sem que dê por mim tentando provar aos deuses que conosco é diferente. Ambos já tivemos outrora certezas medíocres que se provaram serem isso mesmo, e se me orgulho de um dia ter sido contemplado com um sentimento distinto, o que sinto por ti ridiculariza tudo que experimentei no passado...

        Dúvida cruel, como explicar ou identificar o que é o verdadeiro amor a quem nunca o possuiu ou sentiu? –Eu respondo: quem se importa com uma definição ou com um absurdo padrão, se o amor é o oposto da razão, então ninguém saberá padronizar tais valores.

        Amor será diferente para todos, e todos acharão que o seu é o verdadeiro, nada mais correto, desde que não o tomem por padrão.

        O nosso amor tem um jeito manso, e não, não é igual ao do Chico Buarque; o nosso amor é fresco, leve, tranqüilo, bonito, e é nosso!!! Construído por nós incondicionalmente, sem copiar ninguém ele cresce e se manifesta espontaneamente, sem clichês ou poses ridículas que a sociedade tenta impor diariamente. O nosso amor não é desesperado, mais transparente e cristalino que água da nascente, o nosso amor não se cobra, flutua levemente e se adivinha espontâneo!! O nosso amor é igual a nós mesmos, nunca foi ou será um reflexo, mas sim um espelho no qual nossas almas se encontraram.

        O nosso amor sim, tem um jeito que é só seu, é uma arara bela que soltamos, mas que nos sobrevoa e persegue constantemente em busca de alimento. O nosso amor és tu e sou eu, os demais são desvios de clima facilmente explicados pela metereologia!

        O nosso amor é soberbo, acorda folhas secas e as pinta de verde mágico, o nosso amor tem o perfume das rosas, a meiguice de um frágil doce e a força de um livro; o nosso amor, tem as cores do arco-íris, e contudo, ninguém o vê...

        O nosso amor é moderno, mas, no entanto, já se falava dele antes de Cristo, o nosso amor é agora, e nem a incerteza do amanhã o fará adormecer.

        O nosso amor nos acompanha em tudo, nos completa em tudo, e é por tudo isso Mariana, que o meu amor é teu e só teu, com a absoluta certeza de que jamais poderia ser de outrem!

 

 

        Podia começar por uma cantada absurda em um bar de Curitiba, por sorrisos e rostos corados na Rodoviária do Tietê, por um beijo roubado e ousado no metrô... por horas de português jogado em bate-papo e e-mail, por carinhos e beijos entre vidros embaçados na Augusta, por kilômetros de estrada só para te apertar, por devaneios na madrugada só para te olhar, por lágrimas na despedida, pela solidão ouvindo canções inesquecíveis, e você ficando cada vez mais para trás, pelas flores roubadas em jardins, pelas contas astronômicas de telefone, pelo confronto com os teus pais, pelas promessas de amor eterno, pelos sonhos desenhados, pelas mudanças para ficar mais perto de você, pelas caminhadas para te ver todos os dias, pelos atinos e desatinos só para te cheirar, pelas magoas compartilhadas, pelo ombro que sempre tiveste em mim, pelo amigo que sempre fui, pelos momentos importantes em que estava do seu lado, pela tristeza quando  não pude estar, pelas magias que só você me fazia criar, pelas danças que você me fez dançar, pelas chamadas de 10 em 10 minutos apenas para dar um “oi”, pela monografia que li do principio ao fim, pela determinação em que me fizeste acreditar, por sonhos que nos fizeram continuar, por barreiras que te ajudei a ultrapassar, pela OAB que teimava em não terminar, por lágrimas que choraste no trabalho que só eu sei, por uma surpresa de Natal, por virar á esquerda ou á direita para agradar os seus pais e ficar com você, por um DVD que desenhei por amor e com amor, por uma homenagem para ti e só para ti,  Ab imo corde, erunt duo in carne una, in aeternum... É teu e o será para sempre, jamais foi oferecido para outrem...  Por viagens de ida e volta urgentes a Santos, por um show de Lenny Kravitz debaixo de chuva onde fui seu abrigo... Por Ter sido teu Rei no baile de formatura, porque sim, você é uma Rainha, a minha Rainha...

         Quando passo por caminhos que já fiz com você, meu coração fica apertado, e se passo por caminhos que não fiz com você, fico querendo fazer, se ouço um som bonito, desejo que você ouvisse junto, se olho uma flor maravilhosa, fico querendo roubar pra entregar na sua mão, se me oferecem um doce, fico procurando você para te o dar, e sim, continuo gritando para todo o Mundo que te amo, para quem quer ouvir e para os que não querem, cometi erros imperdoáveis, mas infelizmente ou não, estou vivo, meu amor por você me faz sentir ainda mais vivo, e só se estivesse morto, não estaria escrevendo isto ou querendo você de volta nos meus braços.

         Um dia me chamaste de poeta, falaste que escrevo como um, mas sem amor não sou nada, e tudo que algum dia escrevi, escrevi amando, amando o que tinha, ou desejando amar o que não tinha, e eu te escrevi muito e te tive ainda mais...  Tem um poema que amo, escrevi para você, amando você e, é-me impossível não o repetir aqui:

 Quão insignificante é o que penso perto do que sinto,

Funesto àquilo com que sonho, comparado ao que já me deste

Foste minha, como as montanhas o são do céu que pinto

Em que mulher te tornaste, quando que me amas disseste...

Banho nenhum extrairá de mim o teu perfume...

Música alguma apagará da minha mente os teus gritos e gemidos

Massagem nenhuma sossegará os meus músculos doloridos,

Gelo algum tirará de mim o teu calor e o costume...

Imagem nenhuma apagará do meu coração o teu rosto feliz,

A tua respiração ofegante, o prazer que tinhas no olhar,

A tranqüilidade, a beleza do que fiz,

A música que me ensinaste a dançar...

            Tenho saudades da mulher que um dia parou de me chamar de pervertido e passou a me chamar Predador da Noite, de amor e depois patati, da mulher para a qual um dia falei que iria roubar o brilho da lua para lhe dar, da mulher com a qual prometi casar, da mulher que prometi ser a mãe dos meus filhos, da mulher a quem jurei ser seu para a eternidade,  saudade da sua preguiça e humor matinal, saudade dos seus atrasos, saudade dos seus caprichos, saudade do seu prazer por coisas gostosas, saudades de quando o amor podia tudo... Enfim...

            Não sei se busco ou mereço o teu perdão, mas sei que tenho dentro de mim um amor gigante, lindo demais, puro e incondicional por você, sei também que busco você de volta infinitamente... Se te terei de volta, não sei, mas do mesmo jeito que você não desistiu do seu amor por mim, não pretendo desistir sem esgotar a minha alma, porque você é a minha alma, e sem ela, prefiro não viver...

 

 

  

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